Análise: Cruzeiro precisa dividir responsabilidades para estancar viés de baixa antes de jogo do ano
Vasco 3 x 1 Cruzeiro | Melhores momentos | 25ª rodada | Brasileirão 2026
O Cruzeiro foi dominado e derrotado com justiça pelo Vasco, por 3 a 1, em São Januário. Usou reservas, é verdade, mas a atuação ruim acentua o viés de baixa pelo qual o time vem passando há três semanas.
Artur Jorge fez o que deveria fazer. Jogando a três dias da partida mais importante do Cruzeiro no ano, poupou o time praticamente inteiro e encheu o tanque para enfrentar o Atlético-MG. A dosagem física, aliás, é a única coisa positiva que se leva do Rio de Janeiro.
Otávio e Jonathan Jesus foram os titulares utilizados desde o início. E os únicos a darem resposta positiva, evitando uma goleada diante do então vice-lanterna do Campeonato Brasileiro.
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O treinador português escalou a equipe dentro do esperado, surpreendendo apenas na escolha da utilização de quatro atacantes: João Costa, Kenji, Neyser e Lucho Rodríguez. Na teoria, muita movimentação entre eles. Na prática, pouco incômodo à zaga adversária e muita exposição ao próprio setor defensivo.
O início foi de equilíbrio, com o Cruzeiro ensaiando tramas que não chegaram a se transformar em chances claras. Mas, mesmo no momento de igualdade, estava claro que o Vasco machucaria quando tivesse a posse. Os donos da casa tinham liberdade pelo meio e um mano a mano forte de Andrés Gómez sobre William.
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O castigo para o time de Artur Jorge doeu ainda mais por não ter nascido de nenhuma dessas fragilidades. Bola longa, erro de Matheus Henrique na proteção, e gol de Tchê Tchê. O jogo do Cruzeiro definhou a partir dos 32 minutos. Otávio já foi para o vestiário como o melhor em campo – e manteve o posto até o fim da partida, com sete defesas realizadas.
O Cruzeiro não esteve perto de reagir em nenhum momento, e a entrada de Matheus Pereira, aos 16 do segundo tempo, mostrou o quanto o time depende do camisa 10. Nasceram dos pés dele a assistência para o gol de Felipe Morais, uma finalização de fora e um passe mal aproveitado por Wesley. As três únicas tramas eficientes da equipe.
A derrota precisa ser relativizada pelo uso do time reserva, mas a atuação deixou traços vistos em jogos recentes, quando o Cruzeiro pecou pela inconsistência, usando ou não a força máxima. Cenário que permeou os tropeços em mata-matas e até mesmo as vitórias no Brasileiro contra Flamengo, Corinthians e Mirassol.
Diante de todos eles, assim como nesse sábado, o Cruzeiro perdeu para o adversário em intensidade ao menos em algum momento do jogo. Diagnóstico compartilhado por Artur Jorge – o que é um primeiro passo para mudar.
Artur Jorge em Vasco x Cruzeiro
Thiago Ribeiro/AGIF
Mas, quando se diz sobre intensidade, não é apenas correr mais do que os adversários. É ocupar os espaços que precisam ser ocupados. E o Cruzeiro passa por um viés de baixa em desempenho justamente porque dá campo demais aos rivais. Alguns, com qualidade, aproveitam. Outros, nem tanto.
Na terça-feira, o Cruzeiro terá baixa margem de erro contra um Atlético-MG que chega na direção contrária, empilhando confiança ao longo dos últimos jogos. Competir é dever dos jogadores. Dar condições coletivas para isso é o papel de Artur Jorge. É preciso uma "força-tarefa" para recuperar o desempenho recente e salvar o segundo semestre.
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