Campeão mundial com o Corinthians, ex-Cruzeiro e Seleção venceu fome e relembra "resgate" de Marcelinho
Campeão mundial com o Corinthians relembra vestiário com Marcelinho Carioca e Luxemburgo
João Carlos é daqueles jogadores que param, ao fim da carreira, e pensa: venci no (e por meio do) futebol. Hoje com 54 anos, o ex-zagueiro - multicampeão pelo Cruzeiro e Corinthians e com passagens pela Seleção - passou dificuldades para se alimentar, proibição de entrar até no vestiário no começo de carreira e uma arritmia ao fim dela - para alcançar um currículo que poucos conseguem.
Talvez alguns não se lembrem, mas o ex-zagueiro é um dos poucos que podem se orgulhar de ter sido campeão mundial de clubes. Foi pelo Corinthians, em 2000, clube pelo qual foi multicampeão e construiu história vitoriosa.
Em 1997, zagueiro João Carlos faz a festa para o Cruzeiro contra o Corinthians por 1 x 0
Com a parada na carreira em 2016, João Carlos também desistiu da carreira de treinador e voltou para Sete Lagoas, cidade em que nasceu. Virou assessor parlamentar e treina crianças no futsal de uma escola particular.
Em entrevista ao ge, o zagueiro relembrou passagens que marcaram na sua carreira. Supercampeão com o Corinthians - Brasileiro 1999, Mundial de Clubes 2000 e Paulista 2001 - João Carlos tem 92 jogos pelo clube, com nove gols marcados. Atuou ao lado de grandes da história do Timão, como Edilson, Marcelinho Carioca, Luizão, Vampeta, Ricardinho, entre outros.
"O resgate de Marcelinho"
Chegou a ser capitão da equipe e relembra uma passagem que teve de segurar o ímpeto de Vanderlei Luxemburgo e Marcelinho Carioca.
- Fomos jogar a Copa do Brasil contra a Ponte Preta, em São José do Rio Preto (na verdade, Presidente Prudente). Vanderlei e Marcelinho brigavam muito. E na preleção, nada de Marcelinho, cadê o Marcelinho? Entramos no ônibus, Marcelinho estava lá, Oswaldo (Oliveira) também, e o Vanderlei falou assim: "ó, Marcelinho está fora', e nós: 'pronto, perdemos o nosso craque'.
João teve que argumentar com Vanderlei Luxemburgo e tentou contornar a situação de Marcelinho Carioca.
"Chegamos ao vestiário, e a pressão dos caras, dos jogadores em mim, né? 'Você tem que ir ao Vandeco, o Marcelinho tem que jogar'. Falei: 'Vanderlei, preciso com falar com você. Nós precisamos do Marcelinho"
- Ele (Luxemburgo) ficou olhando pra minha cara um minuto. Ele falou assim: 'Marcelinho vai para o jogo, mas se ele fizer merda, for expulso, você que é culpado e você que vai embora'. Chamei o Marcelo, pedi para ele não arrumar encrenca, não arruma confusão, somente jogar futebol. Resumindo 3-0, 3 gols do Marcelinho 3 gols de falta (1 dele, na verdade).Ele tinha uma personalidade fora e outra dentro do campo ele tinha outra personalidade, sabe? Então é realmente era muito preocupante. Era o craque nosso, mas era muito preocupante, né?
Luizão, Caçapa, joão carlos, Guilherme e Curê, Corinthians x Atlético-MG, Final Brasileiro 1999
Agência Estado
Fome no início
João Carlos contou que, até chegar ao Cruzeiro, não teve facilidade na vida. Citou que passou fome no início de carreira no Democrata de Sete Lagoas.
- Passei muita dificuldade, passei fome no meu início de carreira, não tenho vergonha nenhuma de falar para os meus filhos. Éramos 9 irmãos. Todos tinham que trabalhar pra poder ajudar em casa. Então quando eu comecei no Democrata, eu trabalhava. Eu tive parar de trabalhar pra poder jogar, porque o treinamento era de manhã e à tarde e meu pai não aceitava. Ele não aceitava isso porque ele queria que a gente trabalhasse. Ele falava que não. 'E jogar futebol é coisa de vagabundo, sabe? É coisa de malandro, tem que trabalhar, pegar no pesado', sabe? Ele sempre falava assim.
João Carlos ex-zagueiro jogando pelo Corinthians
Arquivo / FOLHAPRESS
Comprado pelo Cruzeiro em 1994, o zagueiro foi reemprestado nos anos seguintes até conseguir um espaço no time com Nelsinho Baptista em 1997, após o título da Libertadores da Raposa. Até este momento...
Proibido no vestiário
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